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5 artistas do continente africano que você precisa conhecer

5 artistas do continente africano que você precisa conhecer

Imagem em destaque: The Schackles of Limitations, Aïda Muluneh, 2018

Texto: Bianca Caballero

Ao falar sobre turismo e arte, é muito comum que nosso olhar se volte rapidamente para o norte, dando enfoque às produções de países europeus e dos Estados Unidos. Hoje, nossa proposta é redirecionar essa visão para o continente que está aqui ao lado. A arte africana sempre existiu, diversa e potente, mas foi fortemente inviabilizada graças às práticas coloniais. Hoje, a produção contemporânea dos diversos países que compõe o continente está recebendo cada vez mais atenção de um mercado e de um sistema de arte nos quais torna-se essencial diversificar as narrativas. Se o tema te desperta curiosidade, apresentamos abaixo 5 artistas de 5 países africanos – uma minúscula amostra da riqueza produzida em um continente de 54 países – para começar a ampliar esse olhar:

Aïda Muluneh – Etiópia

O trabalho da artista é caracterizado pelos retratos de mulheres com rostos e corpos pintados, em composição com roupas e acessórios de cores fortes e cenários de aspecto surreal. “É assim que vejo esses rostos pintados, como diferentes personagens sem nacionalidade e etnia, como folhas em branco”, diz a artista.

Muluneh nasceu na Etiópia em 1974 e deixou seu país cedo, passando a infância entre o Iêmen e a a Inglaterra, até se fixar no Canadá. Depois de se formar em cinema na Howard University, em Washington DC, atuou como fotojornalista para uma série de publicações internacionais, e em 2007 voltou para Adis Abeba, onde vive e trabalha até hoje. A artista tem trabalhos no acervo de alguns dos museus mais importantes do mundo, já recebeu inúmeros prêmios e é a fundadora e diretora do Addis Photo Fest, primeiro festival internacional de fotografia da África Oriental, que acontece desde 2010.

First in the Heart is a dream, Aida Muluneh para revista TIME

Amoako Boafo – Gana

“A ideia principal do meu trabalho é representar, documentar, celebrar e mostrar novas maneiras de abordar a negritude”, explica o artista ganês Amoako Boafo. Suas pinturas são focadas em pessoas, que em geral aparecem isoladas em fundos de uma cor só. Seus olhares são marcantes e as peles – que ele pinta com os dedos – luminosas. Boafo também toca em questões de masculinidade, desafiando em seus trabalhos a forma como homens são educados para serem agressivos.

Em 2020, a carreira do pintor vem passando por uma ascensão meteórica. Em abril, a obra Aurore Iradukunda, doada para um leilão beneficente em apoio ao Museum of the African Diaspora, em São Francisco, foi vendida por 190 mil dólares, aproximadamente seis vezes o valor estimado de 35 mil. Além disso, realizou recentemente uma colaboração com a Dior para sua campanha de Verão 2021.

Aurore Iradukunda, Amoako Boafo, 2020

Michael Armitage – Quênia

Caracterizadas por cores e movimentos vibrantes, as pinturas de Michael Armitage mesclam temas que vão de paisagens da África Oriental a elementos presentes nas redes sociais, no noticiário, e na cultura pop como um todo. Dessa forma, toca em questões políticas e sociais e convida os espectadores a olharem para elas com atenção. O estilo do trabalho estimula essa provocação, já que muitos elementos e detalhes só são percebidos com um olhar mais atento.

No lugar da tradicional tela, as pinturas de Armitage são feitas sobre barckcloth (ou “tecido de casca de árvore”), material resultante de um processo centenário que consiste em retirar parte da casca de uma árvore sem prejudicá-la e bater nessa casca até que ela se estique. A superfície tem orifícios e depressões que são incorporadas ao trabalho e influenciam a forma como se dá a aplicação da tinta a óleo. Segundo o artista, a importância de utilizar o material está em localizar o trabalho em uma certa parte do mundo e inseri-lo em um contexto histórico de produção cultural – dessa forma, tanto a história do trabalho quantos suas referências culturais partem da África Oriental.

mydressmychoice, Michael Armitage, 2020

Cassi Namoda – Moçambique

Os trabalhos da artista visual e performer Cassi Namoda são inspirados no dia a dia da Moçambique pós-colonial. Nascida em Maputo, a artista explora a dualidade entre sacrifício, dor e felicidade em seus círculos social e familiar. Segundo ela, nesses espaços o balanço entre sofrimento e prazer são parte essencial do modo de vida. Suas pinturas são influenciadas também por princípios narrativos e cinematográficas, segundo a Goodman Gallery, que a representa atualmente, seus trabalhos são como “instantâneos fugazes dentro de narrativas muito maiores”.

Este ano, Cassi Namoda foi considerada pela Elephant Magazine uma das ‘Rising Arts Stars of 2020’ (Estralas em Ascenção de 2020) e a Vogue Italia a convidou para pintar a capa de sua edição de janeiro.

Little is enough for those with love/Mimi Nakupenda, Cassi Namoda, 2019

Dbongz – África do Sul

O artista começou a deixar seus registros pelas ruas de Joanesburgo em 2008, quando passou a frequentar a cidade, e se apaixonou pela liberdade da prática, pelas cores e pelas enormes telas que as paredes formavam. Seus murais, que hoje podem ser vistos em diversas partes da cidade, como os bairros de Newtown e Maboneng, em geral retratam pessoas, muitas delas crianças e algumas figuras famosas. O artista utiliza tanto cores fortes quanto preto e branco, e muitas vezes envolve seus personagens em uma aura luminosa.

Algumas de suas obras mais bonitas estão em Mohlakeng, township ao oeste de Joanesburgo onde nasceu e cresceu. As townships são bairros criados no período do Apartheid para afastar a população negra dos centros das cidades. “Seria ótimo poder comunicar através da arte o que a linguagem não permite, ter a habilidade de interpretar os anos de perseguição em obras de arte que influenciam de forma positiva, que ressoam com a vida cotidiana, e para sempre vibrar espaços mundanos, incentivar o otimismo nas mentes jovens, aumentar a confiança, erradicar a dúvida e o medo nos cérebros humanos e inspirar paciência e persistência, e isso está acontecendo, uma obra de arte por vez”, diz o artista.

 

Dbongz, 2019

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